Urubus usados na Bienal: Tripoli questiona Ibama e Prefeitura; e aciona Delegacia do Meio Ambiente PDF Imprimir E-mail
Animais
Sensibilizado com a situação de três urubus usados pelo artista plástico Nuno Ramos, em uma instalação de arte da Bienal de São Paulo, o vereador Roberto Tripoli (Partido Verde) apelou, oficialmente, para a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, para o Ibama e para a Delegacia do Meio Ambiente, evidenciando que os animais podem estar sofrendo abusos e maus-tratos.

Tripoli lembra a legislação ambiental, inclusive a Lei de Crimes Ambientais, que em seu Art. 32 criminaliza quem pratica abusos, maus-tratos, fere ou mutila animais. O vereador solicitou, em ofício dirigido ao Secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, neste 22 de setembro, que acione o Decont (Departamento de Controle Ambiental) e a Divisão de Fauna do Município. Esses órgãos possuem técnicos aptos a fornecerem laudos sobre a situação dos animais e aplicarem a legislação.

A instalação tem o nome de Bandeira Branca e fica no vão central do prédio da Bienal. A maior parte, inclusive telas, são feitas com material escuro, e os animais convivem permanentemente com o som de músicas como Carcará, Bandeira Branca e Acalanto, com muitos alto-falantes instalados em caixas de vidro. O autor, Nuno Ramos, já foi protagonista de outro episódio de abuso envolvendo animais: uma instalação com burros e um deles portando grandes caixas acústicas amarradas no lombo, no Instituto Tomie Ohtake, em 2006.

AUTORIZAÇÃO DO IBAMA


Informações da direção da Bienal dão conta que existe autorização do Ibama para o uso dos animais e que eles teriam um veterinário responsável. Por isso, Tripoli também oficiou à superintendência do Ibama no Estado de São Paulo, pedindo uma explicação para tal autorização. Por último, o parlamentar acionou o Delegado da Primeira Delegacia do Meio Ambiente, Dr. Roberto Naves, pedindo a interferência dessa autoridade.

O vereador Tripoli considera absurdo expor os urubus ao som de aparelhos ligados permanentemente, barulho que soma-se ao dos visitantes, além de toda a movimentação, luzes, diariamente até tarde da noite. “Os animais evidentemente não estão em situação de bem-estar, não tem liberdade nem para se esconder e se alimentar. Essas aves, na natureza, recolhem-se ao final da tarde. A arte, a meu ver, não pode ser cega para o sofrimento e os incômodos causados a qualquer forma de vida”, afirma o parlamentar.

O vereador lembra ainda que “manifestações artísticas podem ser um instrumento fundamental de sensibilização da população, sobretudo dos jovens, para novas formas de convivência ética com a biodiversidade e com o Planeta. Mas, como pretender tal efeito numa instalação onde animais são abusados? Aliás, em meus ofícios eu cito uma colocação fundamental dos eminentes juristas, os irmãos Vladimir e Gilberto Passos de Freitas: “a cultura não pode ser exercida com o sofrimento dos animais”, diz Tripoli.

(Texto: Regina Macedo / jornalista ambiental)

 
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